Antes de viajar, durante as minhas pesquisas, assisti a alguns vídeos
e vi comentários pela internet sobre brasileiros que sofreram algum
tipo de preconceito em Portugal. Correm soltos os boatos de que os
portugueses não gostam de brasileiros, pois então, falarei um pouco da
minha experiência e do que ouvi sobre o assunto por aqui.
Já na
imigração, lugar no qual muitos tem medo de passar, a menina (aqui não
pode falar moça) que nos atendeu foi bastante simpática. Fez somente
perguntas básicas, porque minha filha foi com o passaporte brasileiro,
sobre mim não perguntou nada. Foi bem simpática e desejou que ela
gostasse e que tivéssemos uma boa estada em Portugal.
Na
loja da operadora de telefone, a Vodafone, também fomos bem tratadas. O
atendente nos explicou tudo com a maior paciência e nos atendeu muito
bem. Em seguida foi a vez do táxi. Pegamos uma taxista mulher, que foi
muuuuuuito simpática e nos deu várias dicas.
A
primeira dica é que os portugueses, pelo menos os do Porto, ficam
ofendidos quando desconfiamos ou demonstramos receio de sermos
assaltadas ou enganadas. Segundo ela, se andamos segurando muito a bolsa
ou olhando para os lados o tempo todo (coisa normal e vital no RJ),
eles podem se ofender. E realmente, tenho comprovado tudo isso na
prática. Ando todos os dias pelo Centro da cidade aqui, com o celular na
mão para me localizar, às vezes com a carteira na mão, quando vou
recarregar o tícket do Metro (sim, aqui não tem acento), e não preciso
me preocupar com nada. Minha única preocupação é atravessar na faixa,
porque aqui os carros param quando estamos na faixa para atravessar.
A
segunda é especificamente sobre o preconceito, principalmente em
relação às brasileiras. Há uns anos atrás uma leva de brasileiras
invadiu Portugal, mais especificamente Lisboa. O objetivo delas era
arrumar um marido português para ficar no país, e com isso destruíram
muitas famílias. Por isso, em Lisboa, os portugueses têm sim um certo
preconceito em relação às brasileiras, mais especificamente as que
aparecem sem marido. Já no Porto isso não acontece, então, prefiro ficar
por aqui mesmo.
Sobre a língua, já ouvi muito
que é difícil entender o que os portugueses dizem. Até agora não tive
esse tipo de problema. Tive que ir a muitos lugares e lidar com
portugueses em diversos tipos de situações, e ainda não tive nenhum tipo
de dificuldade. Não sei se é porque tinha uma avó portuguesa que
preservou algum sotaque por toda a vida, ou se simplesmente tenho
facilidade com isso.
Bem, essas são as
primeiras dicas que compartilho com vocês. Se tiverem dúvidas, sugestões
ou quiserem ler sobre algum assunto específico, comentem aí e
compartilhem esse post com os amigos.
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sexta-feira, 10 de novembro de 2017
terça-feira, 7 de novembro de 2017
Começando do Começo
Acho meio óbvio falar dos motivos que nos levaram a querer sair do país. Mas, em todo o caso, vamos lá.
Eu sempre quis sair do país, desde a minha época de adolescência, achava que o mundinho em que eu vivia era pequeno para mim e que o mundo tinha muito mais a me oferecer. Queria conhecer novas culturas, novas pessoas, novas possibilidades; mas toda essa minha vontade encontrou vários obstáculos ao longo da vida.
O primeiro deles foi a minha mãe. Ela tinha viajado muito e se mudado muito durante a vida, até que simplesmente criou raiz em Seropédica. Isso mesmo, nessa cidadezinha que ninguém nunca ouviu falar e que não tinha nada, só mato. Agora tem mato e gente, mas continua sendo uma cidadezinha na qual agora, além de você ainda não ter nada, corre o risco de ser assaltado ou atropelado pelos carros que trafegam pelo acostamento.
Ou seja, eu simplesmente não viajava nem dentro do país, quanto mais para fora! O máximo que consegui foi receber uma promessa de uma passagem para os EUA para visitar a família, e estou esperando ela até hoje! Minha mãe tinha medo de que eu saísse do país e não voltasse mais (acho que ela é vidente kkkkkk).
O segundo obstáculo foi o meu marido. Desculpa amor, sei que você está lendo isso, mas é verdade. Ele também criou raiz em Seropédica e achava que a cidade ia pra frente um dia.
Ficou assim, esperando isso acontecer. Por quinze anos tentei tirar ele de Seropédica, sem sucesso, até que consegui convencê-lo a ir para Portugal.
Confesso que não foi muito difícil, tive a ajuda de Seropédica (na verdade, do RJ inteiro!), que não foi pra frente e, pelo contrário, ficou pior. A cidade fez a maior parte do trabalho sozinha e a minha ascendência portuguesa fez o resto.
Nosso país vai de mal a pior, com escândalos de corrupção e todas as consequências que isso traz. Especificamente no RJ sentimos essas consequências fortemente em nosso dia-a-dia, com o aumento do desemprego e da violência, saúde e segurança inexistentes e a inexpressiva educação em plena decadência.
Estávamos em busca de qualidade de vida e uma boa educação para nossa filha. Depois de muito pesquisar, escolhemos o Porto como nosso destino. Mas não descartamos outros, esse é apenas o primeiro passo, quem sabe o que o destino nos reserva?
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